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Na outra margem da memória

"I don't think we did go blind, I think we are blind, Blind but seeing, Blind people who can see, but do not see.” José Saramago, Blindness.

27
Ago16

Aquele mundo fantástico...

Por vezes é fácil deixar-nos levar pela nossa imaginação, onde tudo é fácil e onde tudo é perfeito. Tens uma vida quase perfeita, um emprego, uma família, vives num daqueles países fantásticos que associas aos romances que vês e lês na adolescência, o teu grupo de amigos continua lá, enfim um muundo perfeito...

A ideia do futuro assusta-me, especialmente porque não consigo imaginar o meu futuro em Portugal e embora a ideia de ir para os estrangeiro não me assuste a ideia de deixar os meus pais nesta altura da vida deles já me assusta e muito... Pensar que em Portugal as oportunidades para mim são quase nulas e que no estrangeiro pode haver algo mais é algo que me conforta, porém saber que um dia posso voltar a Portugal e não ter cá os meus pais assusta-me ainda mais. 

Ontem ao passar pela minha escola secundária reflecti com alguma nostalgia sobre os tempos que ali passei, em que o meu maior problema eram os testes de matemática e os exames nacionais, naquela altura não pensava muito em empregos ou no futuro a longo prazo e por isso acho que ainda conseguia ser uma pessoa minimamente estável. Após a minha entrada na universidade se por um lado cresci imenso por outro a minha parte emocional ficou cada vez mais distorcida com as incertezas e os medos que me assombram os sonhos, a ansiedade aumentou, os ataques de pânico também e minha negatividade ainda mais...  Para finalizar o meu texto deixo-vos com um poema que me parece ser adequado para este momento: 

Dizem que finjo ou minto

Tudo que escrevo. Não.

Eu simplesmente sinto

Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
 

Isto, Fernando Pessoa

 

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"Começo a conhecer-me. Não existo. Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram, ou metade desse intervalo, porque também há vida ... Sou isso, enfim ... Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo. É um universo barato. " Álvaro de Campos

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