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Na outra margem da memória

"I don't think we did go blind, I think we are blind, Blind but seeing, Blind people who can see, but do not see.” José Saramago, Blindness.

25
Jun17

Cenas da vida e o post mais longo e enfadonho de sempre

Desde pequena que sempre fui muito tímida, lembro-me de no primeiro ano da primária eu tinha tanto medo de me relacionar com os outros miúdos que eu nos intervalos ia para a minha zona de segurança, ou seja os adultos ( agora que penso bem essa teria sido uma boa altura para ter ido a um psicólogo, just say'in), mas descansem porque eu não fiquei isolada para o resto da minha vida. Verdade seja dita que também não ganhei confiança em mim de um dia para o outro, mas fui crescendo e a vontade de me expressar fala, literalmente mais alto, pode-se dizer que em dias bons sou uma tagarela  (o problema mesmo é quando há muitas iguais a mim!!). Mas pronto com isto já me desviei daquilo que inicialmente eu vinha aqui falar hoje: as apresentações orais. No secundário a técnica era  treinar, treinar, treinar aquilo tudo até saber cada palavrinha que tinha que dizer tim-tim por tim-tim, costumava ir para o quarto e por música aos altos berros e tentar falar por cima da música. Claro que chegava às apresentações e focava-me em alguém que me parecesse estar minimamente atento e falava alto e bom som, com isso ganhei aquilo que eu penso ser hoje em dia umas das minhas maiores qualidades enquanto estudante universitária que é falar em público. Não que eu ache que fale bem, até porque normalmente chego à altura das apresentações a tremer que nem varas verdes, mas demonstro uma falsa confiança que para os menos entendidos na matéria passa por uma elevada confiança naquilo que estou a dizer. Isto  foi o que um dia uma professora de genética me disse no terceiro ano de licenciatura e mal ela sabe que aquilo era um dos maiores elogios que me podia dar.

O grande problema é que amanha vou ter uma apresentação de trabalhos com a minha orientadora de estágio de licenciatura (que sabe bem que eu posso estar a dizer a maior barbaridade que vou manter sempre o mesmo ar e o mesmo tom) e com um professor que honestamente não sei o que esperar... E tendo em conta que tenho perfeita noção que o meu trabalho não está perfeito, voltei outra vez a ser aquela menina que precisa de praticar em frente ao espelho e com música aos altos berros para ver se amanha corre tudo pelo melhor!!

Isto tudo para dizer que apesar dos nervos e do medo que tenho às apresentações orais, adoro a sensação de estar em  frente de um público a falar (de preferência de algo que eu saiba realmente!).

Boa semana para todos!

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"Começo a conhecer-me. Não existo. Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram, ou metade desse intervalo, porque também há vida ... Sou isso, enfim ... Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo. É um universo barato. " Álvaro de Campos

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